Máquinas para indústria plástica importação: guia 2026 de NCM, Inmetro e NR-12

Importar máquinas para indústria plástica (injetoras, extrusoras, sopradoras, termoformadoras e periféricos) pode elevar produtividade e acesso à tecnologia, além de abrir margem para negociar melhor custo total. Por outro lado, essa é uma importação em que detalhes “pequenos” viram exigência, atraso e despesa: classificação fiscal frágil, descrição comercial inconsistente e dossiê técnico incompleto são os campeões de dor de cabeça.

Este guia foi feito para quem precisa decidir e executar com segurança. Você vai entender como acertar o NCM (posição 8477), quando entra Inmetro via LPCO, como a DUIMP se conecta a isso e o que observar em NR-12 para evitar retrabalho quando a máquina já estiver no Brasil.

Quais máquinas e processos entram mais em 8477 (NCM/TIPI)

Na prática, a maioria das máquinas “centrais” do setor se enquadra na posição NCM 8477, destinada a máquinas e aparelhos para trabalhar borracha ou plástico. A TIPI (Receita Federal) é a referência oficial para validar o enquadramento e os desdobramentos. 

Subposições mais comuns (referência prática)

  • Injetoras: 8477.10 (subitens variam conforme características do equipamento)
  • Extrusoras: 8477.20
  • Sopradoras (blow molding/insuflação): 8477.30
  • Termoformagem / moldagem a vácuo: 8477.40
  • Partes e peças: 8477.90

Atenção: “linha completa” quase nunca é “um NCM só”. Em seguida à máquina principal, periféricos e acessórios podem ter enquadramentos distintos. Quando você separa corretamente, reduz risco de tributação incorreta e certamente melhora a defesa técnica do processo na parametrização.

Como acertar a classificação fiscal sem depender de “chute”

Classificação fiscal boa é aquela que você consegue defender com documento técnico, não só com a descrição da invoice. Para isso, organize a análise em três camadas.

1) Função principal do equipamento

Antes de tudo, identifique o processo: injeção, extrusão, sopro, termoformagem ou outro. Além disso, descreva o que a máquina efetivamente faz (e não só “máquina para plástico”).

2) Especificações técnicas verificáveis

Em seguida, prenda a classificação em dados mensuráveis, como:

  • força de fechamento (injetora),
  • diâmetro de rosca (extrusora),
  • capacidade/produção,
  • tipo de acionamento/controle,
  • potência e tensão,
  • acessórios instalados de fábrica.

Isso ajuda porque, no mundo real, a conferência documental compara “o que foi declarado” com “o que o equipamento é”.

3) Documentos consistentes (o que mais evita exigência)

Por fim, garanta que os documentos “contam a mesma história”:

  • catálogo/datasheet,
  • manual (quando disponível),
  • invoice e packing list,
  • fotos e identificação do modelo.

Afinal, quando essa consistência existe, você reduz o risco de exigências por divergência de descrição e acelera a validação do enquadramento.

Erros comuns que travam importação:

  • declarar “máquina para plástico”, por exemplo, sem indicar o processo (injeção/extrusão/sopro etc.);
  • misturar “novo x usado” sem refletir corretamente em dossiê e conformidade;
  • tentar classificar a linha toda no NCM da máquina principal, ignorando itens acessórios.

Inmetro, LPCO e Portal Único: quando entra e como se preparar

Nem toda máquina industrial exige certificação compulsória do Inmetro. No entanto, quando há anuência do Inmetro, o fluxo tende a exigir organização prévia e documentação técnica adequada.

O que é a Portaria Inmetro nº 159/2021 (e por que importa)

A Portaria Inmetro nº 159/2021 trata, portanto, dos procedimentos de liberação de importações sob anuência do Inmetro por meio do módulo LPCO no Portal Único Siscomex. Em outras palavras, quando o seu produto está sujeito a esse controle, você precisa trabalhar com o LPCO dentro do processo. 

DUIMP e anuência do Inmetro: o que mudou

A Secex já comunicou a possibilidade de registrar importações sujeitas à anuência prévia do Inmetro via DUIMP(Novo Processo de Importação), mantendo assim a necessidade de registrar previamente o LPCO correspondente. 

Na prática, isso muda o jogo porque o “dossiê técnico” deixa de ser um apêndice e vira parte do caminho crítico do cronograma.

Como montar um dossiê técnico que passa por conferência com menos ruído

  • ficha técnica com fotos e identificação do modelo;
  • catálogo/datasheet com especificações (capacidade, potência, processo, componentes);
  • descrição técnica padronizada para bater com a invoice;
  • lista de acessórios e o que vem instalado versus opcional;
  • quando aplicável, documentos de avaliação da conformidade/certificação e evidências técnicas.

Se houver alegação de isenção, mantenha a evidência objetiva e anexável. Evite “texto opinativo”.

NR-12 em máquinas importadas: o que avaliar antes de comprar

NR-12 é frequentemente lembrada tarde demais — quando a máquina já chegou e precisa ser liberada para operar. Só que a norma está disponível em versão atualizada no portal oficial e é usada como referência prática em auditorias de segurança, comissionamento e aceitação interna de equipamentos. 

Por que vale tratar NR-12 ainda na negociação

  • adequar depois pode custar caro (proteções, enclausuramento, intertravamentos, adequação elétrica e documentação);
  • pode atrasar entrada em operação, treinamento e validação de processo;
  • pode gerar divergência entre “o que foi comprado” e “o que a planta aceita”.

O que pedir ao fabricante antes do embarque

  • manuais e diagramas (elétrico/pneumático/hidráulico, quando aplicável);
  • lista de dispositivos de segurança instalados (intertravamentos, cortinas, chaves, proteções);
  • descrição de zonas de risco e como ocorre parada de emergência;
  • evidências técnicas do fabricante sobre normas aplicadas (quando existir, melhor).

Assim, você reduz surpresas e antecipa adaptações necessárias para operação segura.

Checklist 2026 para máquinas para indústria plástica importação (sem retrabalho)

A seguir, um roteiro simples e executável. Ele não substitui análise do caso, mas reduz muito a taxa de “erro evitável”.

Antes do pedido (fase mais importante)

  1. Defina o processo da máquina e valide o enquadramento no NCM com base na TIPI. 
  2. Solicite catálogo/datasheet, fotos, potência, tensão, layout e lista de acessórios.
  3. Padronize uma descrição técnica comercial que será repetida (sem divergências) em invoice, packing e dossiê.
  4. Verifique se há anuência do Inmetro e se haverá LPCO no Portal Único quando aplicável. 
  5. Inclua NR-12 como critério de compra e peça documentação de segurança antes do embarque. 

Antes do embarque

  • Confira se acessórios virão como partes/peças ou itens completos (e se isso altera classificação e descrição).
  • Revise todos os documentos para evitar divergência de modelo, voltagem, potência e processo.
  • Garanta rastreabilidade: modelo, número de série (quando houver) e itens que compõem a linha.

No despacho e na chegada

  • Verifique o fluxo de registro: em operações com anuência do Inmetro, pode haver registro via DUIMP, com LPCO prévio. 
  • Planeje adequações NR-12 antes do comissionamento, com cronograma realista de instalação e validação. 

Próximos passos para importar com menos risco e mais previsibilidade

Se você quer reduzir exigências, custo invisível e tempo parado, o caminho é transformar o processo em rotina: classificação fiscal defensável + documentação consistente + conformidade tratada antes do embarque.

Broker Solutions pode apoiar sua operação com:

  • revisão de classificação fiscal (NCM/TIPI) e descrição técnica “auditável”;
  • montagem e padronização de dossiê técnico (catálogo/manual/fotos + consistência documental);
  • orientação de fluxo Inmetro/LPCO no Portal Único quando aplicável; 
  • antecipação de requisitos para evitar retrabalho de NR-12 na chegada. 

FAQ — dúvidas frequentes

1) Qual o NCM mais comum para injetora de plástico?
Em geral, injetoras entram em 8477.10, com subitens definidos pelas características do equipamento. A validação deve ser feita na TIPI. 

2) Extrusoras e sopradoras ficam no mesmo capítulo?
Sim. Extrusoras costumam ser 8477.20 e sopradoras 8477.30 dentro da posição 8477. 

3) Toda máquina industrial precisa de certificação do Inmetro?
Não. Porém, dependendo do produto e do tratamento administrativo, pode existir anuência do Inmetro, com fluxo via LPCO no Portal Único. 

4) O que é LPCO e por que ele importa?
É o módulo do Portal Único para Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos. Ele é usado em processos de anuência, incluindo os do Inmetro quando aplicável. 

5) NR-12 se aplica a máquina importada?
Na prática, sim: a NR-12 é referência para requisitos mínimos de segurança em máquinas e equipamentos e deve ser considerada antes da compra para evitar adequações caras depois.